como domar o leão do orgulho, que devora todo seu juízo e o joga a beira de um ataque?!
Ele percebe que esta ficando paranóico. Tenta tomar uma medida de prevenção... Escolhe uma musica a dedo e a espera carregar.
Esta curioso pra saber se a medida vai funcionar.
É sábado e ele esta no trabalho, só que sem trabalhar.
É sábado e ele tem muitas duvidas, mas não tem a quem perguntar.
É sábado e ele quer sair, fugir, se auto sumir de tanto insumo alcoólico.
É sábado e ele esta no trabalho... só que sem trabalhar.
Dormiu dois dias na rua, um após o outro, um após pensar, analisar e não encontrar lugar...
outro após chorar, lamentar, refletir e decidir que ia pro trabalho pra trabalhar... só que sem trabalhar.
É sábado e ele querendo chorar, mas não há porque, nem por quem. Escolheu estar ali, escolheu o sábado, escolheu o que tinha de escolher.
Não se lamente pobre homem derrotado, siga a vida que a mesma te segue, disse um velho amigo seu.
"Me deixe, que me deixaram todos. Me sinta se me quiseres bem, me presenteie com o silêncio se pra tu ainda sedes eu alguém."
Viajou a tempo de pegar o último vagão do trem...
Ah pobre homem, como quiseras que isso passasse de um sonho.
A solidão estava a caminho e os portões já não tinham mais chaves.
Pensou que estar sozinho duraria até um pouco mais tarde, mas viu que ao seu lado estava, um dia da depressão.
Deprimiu-se a ler em público pra si mesmo sua carta de rendição.
"Pai, não me julgues por mal, não peças perdão, não espere voltar, não me fales mais...
Pai, devo eu te culpar? Pois me culpo sempre, por bom filho não ser, por não ver este "amar demais" que vêm todos. Não sou mais tão feliz quanto antes, não me leve a mal, mas não sou mais criança dotada de perdão fácil...
Sabes pai, eu queria te perdoar, eu queria perdoar a mamãe, eu queria perdoar principalmente a mim... Me conheces tão bem quanto eu próprio, e sabes que não sou pessoa de râncor.
mas foram tantas humilhações, tantas surras que meu coração levou, que eu me cansei... o obriguei a falar mal de mim, o obriguei a guardar tudo de ruim que foram me fazendo. E me fizeram tanto, que do pouco que ele guardou, eu fiz reserva pra uma vida.
É inacreditável para mim, inaceitável pra vocês, mas eu não posso mais lutar, eu não quero mais lutar, eu quero ser eu mesmo sem sentir culpa. Eu quero ser eu mesmo sem sentir a dor alheia ao meu redor, quero ser eu mesmo pra poder sorrir por ser eu mesmo e não chorar por ser eu mesmo...
Me lembra a Raul... aquela musica do sapato...
Me desculpa pai, mas eu quero ser Eu pelo menos hoje. Acho que agora mereço."
Carta triste aquela, carta difícil de escrever, assim como narrar.
Pobre homem, finalmente sentia pena e não ódio de si mesmo. Finalmente sentia vontade de gritar seu próprio nome com a certeza de que este era de fato seu e de honra sua.
Pobre homem agora era um pouco menos pobre de alma e um tanto mais pobre deveras.
Mas começava a ver o lado bom de tudo isso.
Mesmo sabendo que:
"É sábado e esta no trabalho... só que sem trabalhar!"
Ele ainda se sente feliz.
Mas é momentâneo, cê sabe né!?!?